Capítulo 14

CAPÍTULO 14

Nora enfim volta pra sua casa da colina.

Coloquei minha chave na fechadura, girei a maçaneta e empurrei meus quadris contra a porta.

Por que têm que ser os quadris, exatamente? Empurrar com os ombros parece mais enficaz, na minha opinião.

A porta está emperrada, e assim ficou desde que Patch ficou por lá naquele fatídico dia (a porta provavelmente ficou com imenso desgosto de ser tocada pelo creep). Depois temos um momento pseudo-suspense em que Nora entra em casa, pensando que não havia ninguém, e acha…. ALGUÉÉÉM… cochilando no sofááá… e assim que viu isso, Nora muito utilmente gritou feito uma criança. A figura acorda, e revela-se ser a mãe da Nora, que tinha chegado mais cedo.

O propósito da cena foi mostrar que Nora estava em pânico por causa do doido da máscara de ski, mas isto é ridículo.

Aqui vai o que é, na minha opinião, a pior parte deste capítulo, e o minha gota d’água em termos de paciência com a Nora. Basicamente, Nora reflete que ela devia contar pra mãe sobre o cara da máscara de ski – se ela fizesse isso, poderiam trocar a fechadura da porta, além de envolver a polícia no caso pra segurança extra. E agora que Vee tinha sido atacada, a conta de hospital dela conseguia apoiar a acusação. Mas aí a mãe da Nora começa a falar…

Ela soltou um suspiro demorado, magoado:

– Estou pensando em vender a casa de campo.

– O quê? Por quê?

– Estou com dificuldade pra mantê-la já faz um ano, e não estou indo tão bem quanto esperava. Pensei em arranjar um segundo emprego, mas, sinceramente, não acho que o dia tenha horas o bastante. – Ela riu, sem um pingo de emoção – O salário da Dorothea é modesto, mas é dinheiro extra que não temos. A única coisa na qual consigo pensar agora é me mudar para uma casa menor. Ou um apartamento.

– Mas esta casa é nossa. – Todas as minhas memórias estavam aqui. A memória do meu pai estava aqui. Não acredito que ela não sentia o mesmo. Eu faria todo o possível para ficarmos.

– Vou dar mais três meses – disse ela – Mas não fique muito esperançosa.

Naquele momento eu sabia que não podia contar para a minha mãe sobre o cara da máscara de ski. Ela se demitiria imediatamente. Iria arranjar um emprego local e não haveria outra escolha senão vender a casa.

É isso aí. Minha mãe não aguenta mais seu emprego infernal? Minha vida está em perigo constante? Esqueça! ME RECUSO A SACRIFICAR MINHA CASA SUE PERANTE ISSO. E se é que algum fã deste “livro” vai ler isso, não ouse me dizer que ela preza demais as memórias do pai dela pra se livrar da casa. Isso é estúpido. Ela está disposta a sacrificar o bem estar da própria mãe e a própria segurança por causa dessas “memórias”. Se esse cara pudesse falar do além, eu tenho quaaaaase certeza de que ele não aprovaria. PORQUE ISSO É RETARDADO. ISSO É EGOÍSTA, ISSO É COISA DE CRIANÇA MIMADA.

Nora acaba de se tornar minha Scrappy.

Após isso mãe e filha tem falam um pouquinho sobre a Vee, Nora prepara chocolate quente, e as duas vão conversar sobre outras coisas. Vou lhe dar três opções sobre o tópico da conversa:

a) O atual estado socio-econômico do mundo
b) Hobbies pessoais que ambas têm em comum
c) Boys, boys, boys.

Se você escolheu c), parabéns! Você tem cérebro o bastante pra prever este livro incrivelmente óbvio.

Primeiro Nora pergunta o típico “quando você se apaixonou pelo papai? Como foi o casamento?” crap, que eu vou pular porque, é besta e nào faz muita diferença.

Imaginei o sorriso perigoso de Patch:

– Você já teve medo do papai?

– Sempre que os New England Patriots perdiam.

Sempre que os Patriots perdiam, meu pai ia na garagem e desenterrava sua serra elétrica. Dois outonos atrás ele levou a serra para o bosque atrás da nossa propriedade, derrubou dez árvores e transformou-as em lenha. Ainda temos mais da metade da pilha a ser queimada.

Pai mais sinistro ever?

Nora pergunta se, sem brincadeira, “o papai já foi misterioso”. Eu particularmente responderia “que djamba tu anda fumando, desgraça?”, mas a mãe da Nora é diferente.

– Pessoas misteriosas têm muitos segredos.

Ela completa que, por conseguinte, não, ele não era misterioso. Depois Nora pergunta se ele era rebelde (digitar essa palavra se tornou uma tarefa desconfortável), e a mãe enfim se enche e pergunta o porquê de todas essas perguntas retardadas.

– Tem um cara – eu disse, incapaz de segurar um sorriso ao pensar em Patch.

Patch lhe dá TANTOS motivos pra sorrir, afinal.

– Ooh, um garoto – disse ela, misteriosamente.

Daí o chefe da mãe da Nora, que ela odeia horrivelmente, liga, pedindo pra mulher sair de casa em plenas 20:00 horas pra buscar um documento ou algo assim. Enfatizo aqui o quão imprestável essa vadiazinha da Nora é por não ligar pela felicidade profissional da própria mãe. A mãe de Nora sai, e a nossa “heroína” fica sozinha em casa.

Se isso fosse um livro de suspense, coisas começariam a morrer. Por que não é…

Nora sobe para o seu quarto e, pra sua surpresa, ele foi totalmente destruído; a cama foi partida ao meio, as gavetas foram reviradas, paredes foram arranhadas, e o maluco do ski (vou chamar ele de Ted) na janela, pulando pra fora. Nora se apavora, desce as escadas e liga pra polícia.

…Tá bom, este é – o – clichê de filmes de suspense. Adivinhem o que vai acontecer agora.

Adivinhem só.

Sério, adivinhem.

Já pensaram?

Pois bem, aqui vai o grande choque –

os policiais chegam em casa… e quando eles sobem no quarto, TUDO VOLTOU AO NORMAL!!!

Eu só pensei aqui como a Nora foi imbecil nessa cena (se bem que dizer que a Nora foi imbecil é pleonasmo); ela deveria ter ficado no quarto e ligado pra polícia de celular, e esperar por eles lá. Sim, seria perigoso, mas não muito menos perigoso do que ficar em qualquer canto da casa. E mesmo que não desse certo, ela ao menos poderia descobrir como o quarto volta ao normal; testar se minha teoria dos duendes é credível.

Mas não, ela foi estúpida.

Naturalmente, policiais perguntam se ela estava tendo alucionações. A primeira coisa que eles perguntam?

– Você terminou com um namorado recentemente?

Ééé, isso faz todo o sentido. Sempre que as garotas que eu conheço terminavam com seus namorados elas tinham alucinações de malucos do ski destruindo o quarto delas.

Só DEPOIS disso eles perguntam o óbvio “você andou consumindo drogas?”. Porque drogas causam alucinações, mas não tanto quanto coração partido.

(?)

Em outra nota, o Ted é meio irresolvido. Digo, nas duas primeiras aparições ele tentou matar a Nora; já aqui ele parece satisfeito em simplesmente quebrar o quarto dela.

Enfim, Nora desiste de tentar convencer os tiras, dizendo que deve ter sido coisa da cabeça dela mesmo (no fundo, acreditando que o Ted está fazendo isso de algum jeito, e que ela não é louca). Os policiais simplesmente vão embora.

Esses caras precisam ver mais filmes de terror. Só avisando.

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Comentários

  • larissa  On fevereiro 10, 2011 at 10:07 pm

    muito bom eu ri pra caramba XDDDD os pleonasmos são otimos. eu ri pacas no “um garoto”

    ps:nao falei q ia comentar XDDDD

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