Capítulo 9

CAPÍTULO 9

Este livro é de terror.

Ele tem que ser.

O capítulo começa com Patch acompanhando Nora até o fliperama; Patch oferece uma carona de volta pra casa, mas Nora já tem sua carona garantida com sua amiga. E quem sabe, talvez com Elliot, caso ele tivesse carro (oh, espera, isso é um Sueverse; TODOS OS CARAS têm carro). Pois bem, ela vai com el-

Espera, cadê eles?

Vee e Elliot desapareceram da sala de futebol de mesa. Patch reoferece a oferta (meu Deus que frase horrível), mas Nora resolve que vai tentar a sala de tênis de mesa.

Nada.

Patch sugere “ei, quem sabe eles não estejam no pinball”.

Também nada.

Nora então abre seu celular – ah, que maravilha do século 21! – para ligar para a sua melhor amiga e saber do seu paradei… opa…

O celular está desligado. O que não faz o menor sentido, porque Nora aparentemente carregou a bateria pouco antes de sair.

Tá, mas ela não teria indo embora sem a amiga. Nora então procura pelo carro da Vee, o grande Neon rosa incrivelmente cham-

ELE TAMBÉM SUMIU?!

Aqui Nora diz ter ficado sem mais opções, mas eu acho que ela ainda tinha algumas. 1) Pedir celulares aleatoriamente, até achar alguém gentil o bastante pra emprestar, nem que fosse pra ligar a cobrar. 2) Ir na direção do parque e chorar um pouco para usar o telefone. 3) Usar um telefone público, caso tivesse moedas (Estados Unidos e tal). 4) Ir num ponto de táxi e ir de táxi, e, caso não tivesse dinheiro, pagar quando chegasse em casa. Seria interessante ver como Patch está dominando a realidade (somehow) para forçar Nora a ir de carona com ele.

Por sinal, sabia que isso é bem sinistro? Sério, parece coisa de filme de terror (ou, no mínimo, de Goosebumps). Esse livro não é um romance. Eu me recuso a aceitar isso.

Nora começa a considerar aceitar a oferta de Patch.

Num dia normal ele exalava perigo; hoje, era uma poderosa mistura de perigo, ameaça e mistério, todos de uma vez.

Ou seja, ele sempre é do mesmo jeito todo dia.

(E Fitzpatrick, se é “mistura” é óbvio que é “de uma vez”)

O jeito como Patch parece inafetado por todas essas coisas me faz concluir que a autora não jogou um Red Herring, e que ele está fazendo tudo isso. Posso estar errado (quero ver ele confirmar antes), mas se for… Pior. Interesse amoroso. Ever.

Nora resolve aceitar a carona, desde que fosse direto para casa. Nora também começa a suspeitar da própria sanidade mental, devido ao incidente da não-queda e do não-Jason.

Ah, tortura psicológica. Patch não é um sonho?

O meio de transporte de Patch, surpreendentemente, é uma MOTO PRETA.

UM BAD BOY DOS ANOS 70/80,

COM UMA MOTO PRETA.

Fitzpatrick, você é mesmo um GÊNIO da nossa geração!

Nora tem medo de andar em motos, pois nunca o fez, mas Patch assegura que vai dar tudo certo. Daí eles saem, e Patch acelera incrivelmente. Por quê? Para Nora segurá-lo forte num abraço-de-costas, é por isso.

Mais uma vez, Patch é um sonho, cutucando a ferida do medo de alguém desse jeito.

Patch acelerou na estrada, e meus braços apertaram-lhe num forte abraço. Eu esperava que tivesse sido a única que havia notado.

Ao chegarem na casa, Patch desce da moto em direção à porta (antes de Nora), e revela que ele tem as chaves da casa. O Ícaro-wannabe revela que viu as chaves caindo e as pegou, mas as chaves estavam num compartimento fechado a zíper da bolsa de Nora; em outras palavras, era improvável que tivessem caído sem ela notar.

Invasão de privacidade, tortura psicológica, furto… PATCH. É. UM SONHO.

Nora pega as chaves e tenta abrir a porta; por algum motivo, não consegue. Patch então tenta, e consegue sem problemas, na primeira tentativa.

Se isso fosse um filme de terror, eu diria que os assassinatos começariam aqui. Infelizmente não é, e Nora continuará viva até a continuação desta porcaria.

…NÃO, não. Não, Marcelo, você não vai começar a beber, nem fumar. Não depois de todo o esforço.

Patch questiona se Nora está totalmente sozinha em casa; Nora mente dizendo que sua governanta voltará logo, mas Patch não aceita o blefe. Nora então entra na casa e fecha a porta, mas Patch segura a porta com o braço e mais ou menos força sua própria entrada.

*anotando num caderno* ‘Invasão… de… domi…cílio’. Acho que vou fazer um álbum de figurinhas com todas as coisas que fazem do Patch tão dreamy.

Aliás, o argumento de Patch para ser deixado entrar (antes de invadir a casa) é super lógico:

– Você não vai me convidar pra entrar? – ele perguntou.

Eu pisquei. Convidar ele pra entrar? Na minha casa? Sem mais ninguém em casa?

– Está tarde – disse Patch. Seus olhos acompanharam os meus minuciosamente, apresentando um brilho imprevisível – Você deve estar com fome.

Sim, Patch precisa entrar para preparar comidinha pra Nora. Porque Deus perdoe que Nora saiba, sabe, COZINHAR. Ou ainda, TER A CAPACIDADE MENTAL DE LIGAR PRA PEDIR COMIDA. Ou, ainda melhor, TER COMIDA EM CASA. CADÊ A DROGA DO MEU DORIL!?

Após invadir a casa de alguém que está SOZINHA EM CASA E ISSO É CRIME E É INCRIVELMENTE SINISTRO E ARGH EU ODEIO TANTO ESSE DESPERDÍCIO DE TINTA QUE CHAMAM DE LIVRO, Patch vai para a cozinha preparar tacos. Que conveniente a Nora ter todos os ingredientes necessários para fazer tacos em casa. Caso contrário teríamos que fazer, sabe, comidas mais cotidianas.

Patch começa pegando uma faca…

…por que esse livro não é de terror. Por quêê…

Nora também divide opinião comigo:

Acho que estava quase entrando em pânico ao visualizar Patch segurando uma faca…

EI, NÃO “QUASE”! QUE HISTÓRIA É ESSA DE “QUASE”? CHAME A POLÍCIA, SUA ANTA DE QI NEGATIVO!!!

…quando outra coisa me chamou a atenção. Dei dois passos à frente e me deparei com meu reflexo em uma das frigideiras penduradas no armário das panelas. Meu cabelo! Parecia que uma bola de feno gigante tinha se alojado na minha cabeça. Levei minhas mãos à boca.

“Ei, esse cara está com uma faca, e ele é um completo estranho e ele invadiu min- AAAAAAAAIIII, MEU CABELO! MEUCABELOMEUCABELOMEUCABELOMEUCABELOMEUCABELOMEUCABELO!!! Está um HOR-ROR! AI MEU DEUS, CRUIZ CREDO! ECAECAECAECA! PRECISO AJEITAR ELE URGENTEMENTE, NÃO HÁ NADA MAIS IMPORTANTE QUE ISSO NO MOMENTO!”

Não há Doril suficiente. Preciso de um remédio mais potente.

Patch aponta que o cabelo de Nora não é castanho – não, é castanho que fica ruivo dependendo da luz. Ufa, já estava pensando que nossa Sue tinha um cabelo NORMAL. Que bom que não, senão seus “olhos esfumaçados” ficariam solitários.

– Odeio ter que contrariar, mas [seu cabelo] é ruivo. Eu poderia colocar fogo nele e ele não ficaria mais ruivo.

Se você colocasse fogo nele, ela ficaria careca. E sofreria horríveis queimaduras de segundo a terceiro grau no couro cabeludo…

…hummm…

…sabe Patch, se você quiser experimentar, eu tenho um isqueiro…

Enfim, Nora sobe e ajeita o cabelo. Aqui ela reflete sobre como:

Eu não estava completamente confortável com a idéia de Patch andando livremente pela minha casa; e armado com uma faca.

NÃO ESTAVA COMPLETAMENTE CONFORTÁVEL?! ELE INVADIU A SUA CASA! ELE!! NÃO É!!! UMA VISITA!!!!

Fitzpatrick, eu… vou…. fazer coisas horríveis com você se um dia nos encontrarmos.

Voltando à cozinha, Nora encontra Patch com uma faca ainda maior. Ela anuncia seu temor perante a faca (that’s what she said), então Patch mostra que não pretende fazer mal ao oferecer a faca a ela.

NÃO, ISSO NÃO MUDA NADA!! INVASÃO DE DOMICÍLIO! FURTO! MIND-RAPE!! KAHRNLMSDBAKHJLEKHABDXKNFJHAGUOFIHABVKFNAVKERIABK CVNBKHARSIT!11111

Não me movi. Havia um brilho em seus olhos que me faziam pensar que eu deveria ter medo dele (DÃ!)… e eu tinha. Mas aquele medo era metade atração. Havia algo muito desconcertante quanto a estar perto dele. Em sua presença, não confiava em mim mesma.

Nora, sei que seus hormônios estão agindo, mas há uma diferença entre ser guiada pelo desejo e ser uma completa mula prestes a se jogar de um penhasco. Você está no segundo grupo.

PATCH então resolve ensinar pra essa PORTA como se fazem tacos ARGH ODEIO ESSE CAPÍTULO. Ele convence ela dizendo que se ela ajudar ele ele lhe contará segredos; claro que ele não conta, porque ele é um FILHO DA ÉGUA que não merece simpatia MAS QUE POR ALGUM MOTIVO TEM. Ele começa ajudando-a a posicionar a faca e “falando super perto do ouvido dela, de modo que ela conseguia sentir sua respiração”. Eu não achei isso particularmente sexy, mas ei, eu continuo não sendo uma pirralha de 13 anos que não sabe escolher bons livros.

Daí Patch fica observando ela na posição de cortar tomates (ou algo do gênero):

– Cozinhar não se ensina – disse Patch – É nato. Ou você nasce com isso, ou não nasce. Que nem química. Você acha que está pronta para química?

QUE %#^$# É ESSA? CLARO QUE COZINHAR SE ENSINA! Algumas pessoas de fato têm mais talento que outras, e mais facilidade de aprender, MAS PODE SER ENSINADO! MUITA GENTE PODE LHE DIZER ISSO! E O MESMO VALE PRA QUÍMICA! EU QUERO TE DEEESSSTRUIIIIIRRR!!!!

Preciso… ser…. forte….

Depois de cozinhar, eles resolvem lavar a louça. Nora aproveita para começar seu questionário, entretan- OMG HOT GUY HOT GUY HOT HOTTIE!!

Eu me distraí. Patch se inclinou preguiçosamente sobre a pia. Cabelos negros mostravam-se por debaixo de seu boné de beisebol. Um sorriso tatuado em seu rosto. Meus pensamentos se dissolveram e, simples assim, um novo pensamento invadiu os domínios da minha mente.

Eu queria beijá-lo. Agora mesmo.

Pois é. Antes eu não ligava pra ele, mas agora que ele se inclinou preguiçosamente sobre a pia, repentinamente ele virou a coisa mais sexy desde os deuses gregos. Eu odeio TUDO NESSE MUNDO, este livro especialmente.

Eles continuam a lavar e, quando tocam suas mãos ao passar um prato para o outro, UMA CONEXÃO MÁGICA E LINDA acontece e eles ficam paralisados por um tempo antes de prosseguirem pra sessão de amassos, a qual será detalhada logo.

Isso seria bem tocante (ou, pelo menos, algo digno de se desenhar num mangá shojo pouco criativo) se não fosse por toda a lista cada vez maior de delitos causados por esse cara. Isso não faz sentido. O relacionamento deles não faz sentido. O diálogo não faz sentido. Nem as ações, nem a sequência de acontecimentos que levaram-nos até isto.

*respira fundo*

Então, eles têm uma conversinha estúpida na qual Nora admite seu lance eu-gosto-de-você-mas-você-me-dá-pesadelos. Felizmente isso foi respondido fisicamente. Sssss.

Ele colocou minha mão sobre seu peito e puxou minha manga passando pelo meu pulso. Com a mesma rapidez, fez o mesmo com a minha outra manga. Ele segurava minha camisa pelos pulsos, minhas mãos tendo sidas capturadas.

Eu – acho – que Patch está tentando despi-la. Ou tentando segurá-la. Mas do jeito que ele descreveu, também parece que ele está brincando de “oohh, perdi minha mão, perdi minha mão!” ao abaixar as mangas da camisa dela.

Bem, ele eleva ela pra em cima do… armário/balcão/stuff onde eles ficaram se olhando (nem chegaram na primeira base ainda? Sheesh). Nora então nota que está TOTALMENTE afim de fazer Ésse-É-Xís-Ó e pede pra ele tirar seu chapéu de 4 dias sem lavagem.

Aqui Nora também usa o adjetivo “sombrio” (“dark”) para descrevê-lo pela SEPTUAGÉSIMA vez neste sacrifício desalmado de árvores.

Patch “sobe suas mãos” a partir dos quadris dela, e também vai beijando ela dos ombros pra cima (por que cargas d’àgua eu tô descrevendo isso!?). Nora pensa no quanto isso é errado:

Ele era assustador. De um jeito bom, sim, mas também de um jeito ruim. De um jeito muito, muito ruim.

“Assustador de um jeito bom”? Wut?

Enfim, mais parágrafos disso, e Patch diz que “sabe como resolver problema de dormência nas pernas” que Nora anunciou. Quando felizmente o celular dela toca, e sua mãe liga pra saber como es…

…mas… o…. celular… tava… desligado….

Bem! Deixa pra lá; se isso me salvar dessa cena de quasi-estupro, inconsistências são bem vindas. Enfim, Nora finalmente manda Patch ir embora, mas ele convida ela de novo pra tal festa no dia seguinte, ela diz que vai pensar, tchau tchau.

Eu me apoiei contra as estantes, soltando suspiros curtos e secos.

Eu odeio adolescentes com hormônios…!

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Comentários

  • Lara P.  On janeiro 21, 2013 at 7:18 pm

    é sério. Isso é sacanagem. Nem todas as adolescentes são tão tontas assim… né? Poxa…Sou uma adolescente de 13 anos (com hormônios!!kk) e li essa “coisa”. Sou completamente lunática (eu admito) por livros de TODAS AS ESPÉCIES. eu estava a MUITO tempo sem ler nada, por isso quando me deram esse “livro”, eu não consegui simplesmente não ler… devia ter me contentado com os catálogos e os cardápios de pizza.

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