Prólogo + Capítulo 1

Começo esta análise com uma afirmação – a capa deste livro é hilária. Digo, olhe pra ela:

Tenho duas teorias sobre o garoto anjo – ou ele está pulando de alegria por finalmente ter um emprego como modelo para a capa deste livro, ou, como minha amiga Yami sugeriu, ele está praticando salto sobre vara… e trapaceando, tendo asas e tal.

Mas prosseguindo.

PRÓLOGO

“Chauncey estava com uma filha de fazendeiro nos arredores gramados do Rio Loire quando veio a tempestadade, e, após deixar seu cavalo castrado livre pela campina, coube a seus próprios pés carregá-lo de volta para o castelo.”


Obrigado por me informar sobre o fato do cavalo ser castrado. O enredo simplesmente ficaria sem nexo se não fosse pela informação.

Enfim, Chauncey é o novo Duque de Langeais, aparentemete uma influencia em seja-lá-onde-isto-está-acontecendo. Acho Chauncey um nome engraçado… não que seja um nome ruim, mas me faz lembrar de Chansey. Sabe, o Pokémon. Heh, acho que vou chamá-lo assim daqui em diante. Bem, ele está no meio de uma noite chuvosa e escura ™, voltando para seu castelo, quando de repente – gasp! – uma figura aparentemente-anjo pousa em cima de uma estátua num cemitério. O livro também descreve que o garoto tinha “o torso nú, pés descalços e calças folgadas de aldeão”. Fanservice óbvio é óbvio. Enfim, após a típica reação que pessoas da realeza apresentam nessa situação (isto é, sacar a espada e exigir vorazmente saber quem vem lá), o aparentemente-anjo acusa o pai de Chansey de não ter sido um verdadeiro Duque de Langeais, e sim um bastardo que assumiu a posição.

“O garoto sacudiu a cabeça preguiçosamente. – Seu pai não era o velho duque.

Chauncey enrijeceu-se perante tamanho insulto. – E o seu pai? – exigiu, estendendo sua espada.”


Chansey, quantos anos você tem? Isso foi basicamente o equivalente medieval do “Você é idiota”; “Idiota é VOCÊ!”.

Bem, o aparentemente-anjo então anda calmamente em direção a Chansey e afasta a espada. Erm… por que o Chansey simplesmente não atacou? Bem, deixemos isso de lado. Após isso, aparentemente-anjo usa um tipo de controle da mente sobre Chansey, forçando-o a se ajoelhar e fazer um juramento de lealdade, apesar de, mentalmente, Chansey ser absolutamente, completamente contra isso. Aparentemente-anjo então solta algumas bombas de enredo – primeiro, ele precisará da ajuda de Chansey no começo do mês hebraico de Cheshvan, nas duas semanas entre a lua cheia e a lua nova (OMG REFERÊNCIA DE INSPIRAÇÃO), por algum motivo misterioso que eu não ligo. Segundo, Chansey é um Nefil, da raça dos Nefilins, o que significa que ele é metade-mortal metade-anjo-caído. Mais uma vez, eu não ligo, porque Chansey só existe há 3 páginas e nada sobre ele foi revelado para fazer o leitor se importar. Argh, necessidade inútil de ser misterioso.

Enfim, o garoto não revela por que precisará da ajuda, e, após Chansey acusá-lo de ser um anjo caído com as asas arrancadas, se afasta do duque imobilizado, para a distância.

CAPÍTULO 1 – COLDWATER, MAINE, DIAS ATUAIS

O livro aqui troca para a narração em primeira pessoa, o que é totalmente original e nem foi feito pela série de livros na qual este livro NÃO É baseado.

No nosso primeiro capítulo conhecemos nossa protagonista, Nora Grey. O capítulo se passa numa aula de biologia (SEM RELAÇÃO JURO). Primeiro temos uma adorável conversa entre Nora e sua melhor amiga Vee, em que aprendemos que o “Vee” não é de “virgem”.

Não, sério.

Daí entra em cena o professor de biologia, treinador McConaughy; e sim, treinador, porque ele aparentemente dá aula tanto de biologia quanto de educação física, o que é um tanto sacana já que deve deixar um pobre professor de biologia sem emprego, mas ey, pra que a autora iria ter que se incomodar com aquele INCONVENIENTE de ter, sabe, um número de personagens que fosse um desafio pra ela escrever? Bah. De um jeito ou de outro, a aula é sobre reprodução, o que, naturalmente, invoca vários risinhos e piadinhas do nosso querido público de estudantes acima dos 16 anos (Nora comenta dirigir, então eu estou supondo a idade dela a partir disso).

Aqui aprendemos que Nora é “inteligente”, porque ela respondeu a incrivelmente difícil pergunta “o que é ciência”, tanto com uma definição de dicionário quanto com uma definição própria. Risque um ponto para características de Mary Sue. Após isso a autora descreve Nora e Vee mais detalhadamente – Nora tem cabelos encaracolados e “olhos esfumaçados” (mais uma pra características Sue!) enquanto Vee tem cabelos loiros e lisos, acompanhados de olhos verdes. Acho que é o fim da picada quando uma personagem de olhos verdes parece menos especial que a protagonista e seus “olhos esfumaçados”.

Daí o treinador resolve que, simplesmente porque sim, vai desfazer as duplas de biologia recém-formadas e usar novas. Previsivelmente, Nora é forçada a ficar junta do frio e misterioso aluno transferido ™, que “tem cara de encrenca, e promete” (*suprime a ânsia*). O treinador então sugere uma atividade em que um membro da equipe tem que analisar o outro, pelo bem dos estudos sobre reprodução… opa pera lá, o quê?

“- E, como em qualquer ciência, o melhor método de estudo [da reprodução] é a investigação. Pelo resto da aula, pratiquem essa técnica descobrindo o máximo que puderem sobre o seu parceiro”.


No meio da sala? Isso não é contra a lei?

Nora tenta ser gentil e amigável com o frio e misterioso aluno transferido ™, mas ele simplesmente a ignora e fica anotando coisas em seu caderno. Nora tenta descobrir o que ele está anotando.

“- O que você está escrevendo? – perguntei.

– E ela fala inglês – disse ele enquanto rabiscava, cada movimento de sua mão simultaneamente leve e preguiçoso”


Erm, isso não faz o menor sentido. Quero dizer, o lance dos movimentos das mãos. Já no resto, isso é BEM sinistro. Imagine você, leitora (ou leitor, sei lá), sentada ao lado de um cara vestido de preto que cheira a cigarro (sim, isso é mencionado no livro), enquanto ele ignora suas perguntas e fica anotando coisas. Daí ele anota (e FALA enquanto anota, ainda por cima!) sobre você; é, ele está te investigando e anotando coisas sobre a sua vida.

Se era pra gostar desse personagem, a autora tá vacilando feio.

Bem, Nora joga nosso frio e misterioso aluno transferido ™ contra a parede, e começa a fazer perguntas de fato.

“- Seu nome? – repeti, esperando que a falha em minha voz fosse coisa da minha imaginação.

– Se for me ligar, me chama de Patch. Falo sério. Me liga.”


Patch me faz lembrar disso:

E por causa disso sempre verei esse cara como Robin Williams. Tornará o resto do livro divertido.

Ah, e Patch fez a pior cantada da história.

Continuando, Nora, não consegue arrancar outra informação, fora uma confissão de que ele tem como hobby espionar a vida dela. Que doce. Ele segue a partir daí dizendo que sabe a situação de família dela, música favorita, hobbies, que ela dorme sem roupa e que tentou se matar em um certo ponto da vida. Compreensivelmente, Nora fica completamente apavorada de ter tamanho stalker ao seu lado. Ele termina a sessão de perguntas questionando, por qualquer motivo, por que Nora mora só com a mãe e não com o pai.

“Eu me recolhi. – Ele foi… assassinado. E isso é meio pessoal, se você não se importa.

Houve um momento de silêncio, e o canto dos olhos de Patch pareceu suavizar-se um pouco. – Deve ser difícil. – Ele parecia estar sendo honesto.”


OOOOHHH, que adorável! Ele se importa com a morte do papai dela! Isso torna ele tão querido e gostável, e nega totalmente a apavorante sessão de espionagem e invasão de privacidade que ele mostrou a um minuto atr-

VÁ SE CATAR! Argh, isso nem faz o menor sentido. Aparentemente mencionar que ela tentou se matar é aceitável, mas mencionar a morte do pai? WOW, foi longe demais! Mas o fato de ele se importar deveria, de algum modo, ilustrar um lado bom dele. Mas não funciona. Ele passou 5 páginas sendo dez vezes mais assustador que Edward era, na série-que-não-será-nomeada. E ainda assim querem que a leitora heterossexual se apaixone por ele. MINHA. CABEÇA. DÓI.

Bem, depois disso a aula acaba, e Patch se apressa pra sair. Mas não antes de Nora ir atrás dele e gritar pateticamente pra ele voltar (ao invés de, sei lá, alcançar ele). Ele volta, anota o número dele na palma da mão dela (com uma caneta que ele tirou no vácuo do espaço), e vai embora. Nora reflete um pouco sobre isso (?), e fica parada feito uma lesma por um tempo, até resolver que não vai ligar pra ele. De jeito nenhum. Nunca. Jamais.

A sutileza desse livro me surpreende tanto.

Enfim, daí Nora conta sobre creepy stalking pra Vee, que trata como se fosse um problema engraçado que daria uma boa matéria pra revista da escola. Que amiga.

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Comentários

  • Yami  On julho 28, 2010 at 3:13 am

    seria interessante usar reaction images no futuro.

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