Capítulo 2

CAPÍTULO 2

Nosso capítulo começa com Nora voltando da escola para sua casa.

Minha mãe e eu vivíamos numa velha casa de fazenda do século XVIII nos arredores de Coldwater. É a única casa em Hawthorne Lane, e a vizinhança mais próxima ficava a quase dois quilômetros de distância. Ás vezes me pergunto se o construtor original desta casa sabia que de todos os terrenos disponíveis, ele escolheu construir a casa no olho de uma misteriosa inversão atmosférica que parece sugar toda a neblina da costa de Maine e transportá-la para o nosso jardim. A casa neste momento estava envolta em sombras que pareciam espíritos errantes.

Local isolado, check. Casa incrivelmente antiga, check. Neblina, check. Comparação com assombrações, check. É, diria que a casa da Nora é bem digna pra uma Mary Sue. Afinal, ela não iria ser uma FRACASSADA a ponto de morar, sabe, num subúrbio da cidade, ou num apartamento. Não, ela tem que morar na grande casa mal-assombrada nos arredores da vila.

Fitzpatrick, se vai escrever uma Mary Sue, aprenda a disfarçar.

A mãe de Nora não está em casa, porque ela trabalha numa associação de leilões (ou algo do tipo), portanto tendo que viajar bastante, o que é bem conveniente: pai morto + mãe ausente = liberdade para se envolver em tramas românticas improváveis, sem ter que arranjar um emprego. Uma vez em casa, ela tem uma pequena conversa com a governanta, e daí começa a refletir sobre… *suspira* Patch. Daí ela reflete sobre a atividade de biologia que ela TEM que terminar, e sobre como não descobriu nada sobre Robin Williams.

Os olhos de Patch eram esferas negras. Sugavam tudo e não entregavam nada. Não que eu quisesse saber mais sobre Patch. Já que não havia gostado do que vi na superfície, eu duvidava que iria gostar do que se esconde no interior.

Exceto que isso não era completamente verdade. Eu gostei de muito do que havia visto. Músculos longos e finos ao redor do seu braço, ombros largos porém relaxados, e um sorriso que era metade brincalhão, metade sedutor. Eu estava em uma aliança desconfortável comigo mesma, tentado ignorar o que tinha começado a se tornar irresistível.


Sério, o cara é um maldito. Ele é um stalker, ele tratou sua “tentativa de suicídio” (inconfirmada) como pouca coisa, e levantou o assunto do seu pai assassinado pelo simples prazer de ser um maldito. Mas você só pensa em COMO ELE ERA SÉCSSI? BELLA 2! BELLA 2!

(E o que diabos uma “aliança desconfortável comigo mesma” significa?)

“Eu disse ao Patch que não iria ligar, e 6 horas atrás eu estava falando sério.”

Oi? Ah sim, o número que você disse que “NUNCA, JAMAIS, NUNQUINHA DE JEITO NENHUM DE JEITO MANEIRA EVER EU VOU LIGAR”. O que tem ele?

“Fui para a cozinha e peguei o telefone. Olhei para o que restava dos sete números ainda marcados na minha mão.”


Você só demorou 6 horas até desistir da sua decisão ferrenha de não ligar pro stalker psicopata que lhe fez lembrar da traumática morte do seu pai? Olha…. argh. Se ao menos tivesse sido um dia, sei lá.

Daí ela liga pra ele, TOTALMENTE só pra fazer as perguntas do trabalho de biologia e acabar logo com isso. Previsivelmente, ele provoca ela um tantinho, e diz que não pode continuar a conversa porque está jogando sinuca no lado do fliperama.

…Sinuca… roupas pretas… charutos…musculoso…

Sou só eu ou Fitzpatrick ainda não saiu da fase de se apaixonar por bad boys? Que triste.

Ele desliga na cara da Nora, que fica compreensivelmente fula da vida.

(…) [Eu] rasguei uma folha de papel limpa do meu caderno. Rabisquei “canalha” na primeira linha. Na linha abaixo dela, adicionei “Fuma charutos. Vai morrer de câncer de pulmão. Com sorte, em breve.

DEUS MEU! A Nora começou a tomar vergonha na cara e tomou consciência de com quem está lidando?!

Excelente forma física.”

Imediatamente risquei a última observação até ela ficar ilegível.”

Oh, alarme falso. Foi mal pessoal, circulando, ela ainda é uma monga.

Nora resolve jogar cara ou coroa pra decidir se vai até o lugar-da-sinuca pra encontrar o éfe dê pê. “Imprevisivelmente”, a moeda decide que ela tem que ir… sou só eu ou isso é retardado? Ela está indo tão longe só pra completar um trabalho imbecil de biologia que se faz em dez minutos. Ela poderia esperar até o dia seguinte, na manhã antes de aula, e responder super rápido. Fim. Essas páginas de estupidez teriam sido economizadas, e árvores poderiam ter sobrevivido ao sacrifício que elas renderam. Sim, sei que o dever provavelmente é uma desculpa pra garota ir ver o bad boy, mas continuo pasmo de o quanto a desculpa é estúpida. Fitzpatrick já foi estudante colegial alguma vez na vida?

Além disso, por que raios uma aula de biologia de colegial mandaria um dever tão estúpido?!

Opa, me desviei da análise. Acho que meu cérebro quer parar de ter que fazer isto. Lamento.

Nora chega no local (“Paredes completamente pichadas, maços de cigarro espalhados no chão próximo”. Fliperama amigável, né), onde é compreensivelmente barrada pelo caixa (ou seja lá como se chame quem vende… entradas-pro-point-da-sinuca). Mas ela acha que pagar pra fazer perguntinhas de personalidade é um exagero, portanto resolve passar pelo guarda e entrar assim mesmo, porque quebrar uma lei pra fazer perguntinhas de personalidade é A-OK.

Preciso de doril.

Ela finalmente avista o anjinho, e grita o nome dele (heheh. Imagine só a cena), mas o caixa a alcança e a segura pelo Ponto Fraco de Vulnerabilidade Feminina ™, o braço (não, não o ante-braço; o braço. Estudem mais biologia).

A boca de Patch construiu mais um sorriso semi-ausente. Difícil dizer se ele estava me provocando ou sendo amigável:

– Ela tá comigo.

Isso pareceu exercer alguma influência sobre o caixa, que começou a soltar meu braço.

Tenho consciência de que o Patch é anjo-caído e tem controle da mente ™, e pode ter usado isso, mas não tira o gosto ruim de que essa cena foi escrita pra fazer o Patch parecer um “cool bad boy” que tem super influência sobre o dono do lugar. Affe.

Com uma leve inclinação da cabeça, Patch comandou que os outros saíssem.

Argh, pare de empurrar a imagem de “cool bad boy” pro leitor garganta abaixo. É ridícula.

Após mais parágrafos de babação, Nora fala pro Patch sobre a necessidade de fazer o exercício e blá. Ela começa a fazer perguntas simples, como confirmar se ele reprovou diversas vezes em biologia (algo que a Vee disse pra ela no fim do capítulo passado). Ele confirma que na verdade nunca foi pra escola, o que ela descarta porque não faz sentidos (“Há leis”. Como se isso importasse no mundo dos Romances Perigosos ((tm)-em-andamento)). Ela pergunta se ele tem religião, que faz ele responder (aparentementemente brincando) que faz parte de um culto que precisa de um sacrifício de fêmea, e que ele está seguindo a anta fêmea que é a Nora com este propósito. De novo, ela ignora isso. Daí pergunta se ele fuma charutos.

– Eu não fumo – ele soou sincero, mas eu não cai nessa.

– Uhum – eu disse, repousando o papel entre duas das bolas. Acidentalmente esbarrei na bola roxa enquanto escrevia “Charutos, com certeza” na terceira linha.


Admito, essa cena foi legal. Pena que esses lapsos de bom senso sejam tão escassos e curtos.

Daí Patch joga mais cantadas incrivelmente ruins.

– (…) Maior sonho? – estava orgulhosa dessa pergunta pois sabia que iria fazê-lo recuar. Ela requer reflexão.

– Te beijar.

– Isso não tem graça. – disse, fitando os olhos dele, orgulhosa por não ter me abalado.

– É, mas te fez corar.


Vocês mulheres realmente caem nessa? Porque…… uáu.

Uma fagulha de raiva atravessou meu corpo:

– Você admite que está fazendo isso de propósito?

– “Isso”?

– Isso. Me provocar.

– Fala “provocar”de novo. Sua boca fica provocativa quando você fala.


Esse cara parece um alcóolatra. Jeito avoado e tal. E eu não faço idéia de em que mundo isso seria atraente.

Bem, Nora se enche dessa besteira (bom senso, uhú!) e vai embora, mas não antes de Robin Williams se aproximar e tirar um pedaço de papel do cabelo dela (que foi parar lá… porque sim), fazendo ela notar que ele tem uma marca de nascença no pulso, semelhante à cicatriz no pulso dela.

Blá. Daí ela vai embora, pra casa, pra dormir… quando ela ouve um BARULHO NO QUINTAAAAL! (DUN-DUN-DUUUN!!!). Mas ela resolve convencer a si mesma de que é só o barulho do vento, e demora um bom tempo até levantar e ver o quintal. Ele está vazio, o que encerra o capítulo com a confirmação de que foi só a imaginação dela………………………..

OU SERÁ QUE NÃÃÃO?!?!??!?!?!?

Fitzpatrick, seu suspense é MADE OF FAIL.

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